Ao mestre, com carinho
O nosso guru mestre Renê Simões não deve ter gostado do que viu no primeiro tempo. Nem eu. Aliás, ninguém. Na defesa perdíamos no embate corpo-a-corpo com os atacantes do Malita. Maurício, Veiga e Jéci perdiam todas as trombadas. Sabe aquela desculpa de que os treinadores gostam: “estamos perdendo a segunda bola”, ficou nítida no jogo de ontem. Estávamos mesmo. Só não levamos gol porque o Edson Bastos continua em forma.
Com o esquema armado pelos maletas, ficou difícil de o nosso time jogar. Leandro se desdobrava para “fechar” a zaga e Marlos, em vão, tentava criar alguma coisa no ataque. Quando Pedro Ken ganhava pouco, jogava mais. Com o gol de Tamandaré, as coisas se acalmaram. O time do Barigüi teve que sair mais. A preocupação que era só nossa, se dividiu.
Veio o intervalo e a prancheta do Dorival Júnior funcionou. No contra-ataque, o Coxa levava perigo. Lá em cima, Renê devia estar imaginando: era um jogo pro Gustavo (ou para um centroavantão qualquer). As jogadas já saiam, mas Keirisson e Henrique não se entendiam. K9 porque foge das divididas e HD porque está para ser lançado e não ao contrário.
Com a entrada do Matheus, perdemos algumas chances boas para ampliar. Em uma o carequinha saiu pro lado errado e Keirisson se atrapalhou. Noutra, Ken demorou para lançar. Naquela altura, a defesa já tinha recuperado a imposição física. A entrada do Douglas foi providencial. Veiga cansou. Até o Pedro entrou no jogo.
Depois do dois a zero. Mais um do K9. Apático no primeiro tempo, ele mereceu o gol no segundo. Viu como da pra chegar à linha de fundo, Rubens Cardoso? DJ teve o seu lado professor Pardal, colocando Ricardinho no meio. Até que melhorou a marcação. A mala estava fechada e o Coxa na liderança, pra festa da torcida que nunca abandona.
Minha filha Fernanda, que quase desistiu do Couto, me lembrou: a torcida cantou o jogo inteiro. Um show à parte.
Renê Simões
É o cara! Nem o considero um dos melhores treinadores que já passaram por aqui. No entanto, o Bigode tem liderança, carisma e trabalha as questões emocionais como nenhum outro. O trabalho motivacional que fez no ano passado é mesmo digno de um livro. O respeito que os jamaicanos (e a massa coxa-branca) têm por ele chega a emocionar. Ontem, no Alto da Glória, seus comandados estavam mais felizes do que pinto no lixo. Sem perceber, o caminho dos Reggae Boys para mais uma Copa do Mundo está traçado. Sou jamaicano desde pequenininho.
Chororô
Vai ser uma semana difícil para os meus ouvidos. Os periódicos vão falar de meios-estádios, CTs do outro mundo, do marqueting. Só não vão falar que eles estão na lanterna.
Na foto, do Clarin, Ariel Nahuelpan festeja o gol de cabeça na vitória sobre o Belgrano. Não parece o Gustavo?
UMA PERGUNTA QUE NÃO QUER SE CALAR: QUANDO TEREMOS DE VOLTA CRAQUES COMO ESTES?

Um a zero foi goleada
Domingo, no Alto da Glória, um jogo que parecia luta de boxe. De um lado o time maringaense que bate até na sombra, naquela de intimidar pela violência. Do outro o Coxa, que não fugia do embate, tentava se esquivar e jogar o jogo.
Se o capitão Jéci não tivesse feito o gol que levou o garnisé ao nocaute, talvez vencêssemos por pontos. O Verdão foi melhor durante todo o jogo. Perdemos alguns gols, sofremos com a complacência e incompetência do senhor Cuque e tomamos alguns sustos (pra variar).
Com o Galo encolhido e mesmo dominando completamente o adversário, mas sem abrir a vantagem, Dorival Júnior se viu obrigado a modificar o time. Lá se foi o Pedro Ken, que não vinha bem, fazer a ala direita. Nova chance pro Henrique Dias. A pressão pra cima dos pés-vermelhos continuou. A impaciência da torcida também.
No final para satisfação geral, a retomada do caminho rumo à classificação e decisão do título. Olhando por este lado, o um a zero foi goleada.
No final, parte da torcida vaiou o time. O apupo não era para àquela apresentação, talvez nem fosse para os jogadores, que demonstraram raça e dedicação. Talvez tenha sido para a semana negra que passamos ou para os dirigentes (os que ficaram ou aqueles que abandonaram o barco). Sei lá.
Não podemos nos dispersar diria aquele presidente do impeachment. Que o elenco não é o ideal para o Brasileirão, todos sabem. Que precisamos de reforços de qualidade, também. Que não podemos nos enganar, idem, idem.
Só que as chances de conquistarmos o paranaense ainda estão vivas. Este campeonato é dos iguais. Quem de vocês enxerga por aqui um time muuuito melhor que o nosso? Quem?!
Tabu é feito para ser quebrado
Lá vamos nós enfrentar o São Caetano, time que, desde que surgiu para o futebol brasileiro tem sido o nosso “calo”. O Azulão não tem torcida nem no Campanella, quem dirá em Santo André, mas contra o Coxa isso não parece fazer diferença.
Pra acabar com essa “uruca” só uma vitória por dois gols. Seria o ideal, mas um empatezinho com gols não seria de se jogar fora. Talvez, a melhor opção seja sair para o ataque, tentando surpreender o time paulista. Nada de ficar esperando na defesa. Pra nós, isso nunca deu certo. Sempre levamos um golzinho no final.
Dorival Júnior conhece o Azulão. Fez um bom trabalho por lá, no Paulistão do ano passado. Na semi-final derrubou o São Paulo e, na final contra o Santos, venceu com propriedade o primeiro jogo, mas, na raça, o Peixe reverteu o resultado no segundo. Pena, né DJ?
Daquele time bem montado pelo SC restam poucos. Dos que já foram muitos acertariam o nosso time: os laterais Paulo Sérgio e Triguinho, o meia Douglas e os atacantes Luis Henrique e Somália.
Do nosso lado, Paraíba fará falta. O chute de fora da área é uma arma importante. Se o Azulão sair com tudo, o contra-ataque com Henrique Dias deve ser nossa melhor arma. Será? A esperança é de que Pedro Ken e Keirrison também acordem.
Douglas Silva voltou bem e Leandro tem mantido a regularidade. Vi no coxanautas um vídeo com o Tiago Bernardi. O cara sai rápido para o ataque. Perna comprida, passadas largas. Já corneteando, acho que está na hora de ele ter mais oportunidades.
Se jogar com determinação e autoridade, o Coxa pode fazer o resultado, seguindo adiante na competição. Enquanto outros apreciam de longe, na Copa do Brasil, continuamos vivos. Só pra lembrar: no Paranaense também.



Descritivo: Luiz Cláudio Massa, jornalista, louco pro futebol e pelo Coxa. Jogava no juvenil e, de tanto ser substituído no intervalo, fui parar na arquibancada, junto ao povão.